Blindagem bate recorde no Brasil — e não é mais coisa só de executivo

Durante muito tempo, carro blindado no Brasil tinha uma imagem fixa na cabeça das pessoas: político, empresário grande, alguém com escolta. Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que essa imagem já não corresponde à realidade.

📌 Em resumo: O Brasil registrou 17.290 autorizações de blindagem no primeiro semestre de 2026 — alta de 4,6% sobre o mesmo período de 2025 e novo recorde para a categoria. A frota nacional de blindados já passa de 425 mil veículos. O perfil de quem blinda mudou: não são mais só executivos e autoridades — famílias comuns e donos de SUV entraram forte nessa conta, e SUVs dominam o ranking dos modelos mais blindados, com o BYD Song Plus na ponta. Blindar um carro custa a partir de R$ 45 mil (compacto) a R$ 60 mil ou mais (SUV grande). E, pra quem já tem um blindado ou pensa em comprar um usado: o desconto pode chegar a 25% abaixo da FIPE, mas a desvalorização é até 30% mais rápida que a de um carro convencional.


Os números do recorde

Segundo a Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), o primeiro semestre de 2026 fechou com:

Pra dar contexto de tendência: em 2024, o Brasil registrou 34.402 blindagens no ano inteiro, alta de 17% sobre 2023. O movimento não é um pico isolado — é curva de crescimento sustentada.


Quem está blindando o carro hoje

O motivo mais citado pela Abrablin é direto: a sensação de insegurança nas grandes cidades. Mas o que mudou de verdade é quem está pagando por isso. O público se ampliou de executivos e autoridades para famílias, empresários de médio porte e donos de SUV — gente que decidiu que blindagem deixou de ser exagero e virou item de proteção familiar, no mesmo patamar de um bom seguro.

Os 5 modelos mais blindados do semestre

  1. BYD Song Plus — 1.069 unidades
  2. Toyota Corolla Cross — 804 unidades
  3. Jeep Commander
  4. Jeep Compass
  5. GWM Haval H6

Reparou no padrão? SUVs dominam as cinco primeiras posições — e dois deles, o BYD Song Plus (híbrido plug-in) e o GWM Haval H6 (híbrido), já são eletrificados. Não é coincidência que duas marcas chinesas apareçam entre as cinco primeiras — já mostramos aqui no blog como BYD e GWM ganharam espaço rápido no país, e agora esse avanço aparece até no nicho de blindados.


Como funciona a blindagem hoje (e o que mudou na lei)

A blindagem civil no Brasil segue o padrão Nível III-A, que resiste a disparos de pistolas 9mm e revólveres .44 Magnum — é o nível permitido e mais usado em veículos particulares. O Nível IV é proibido para uso civil no país.

Todo o processo é regulado pelo Exército, através da DFPC (Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados): as empresas de blindagem precisam ter Certificado de Registro (CR), e os materiais balísticos usados precisam ser certificados individualmente pelo CAEx (Centro de Avaliação do Exército), seguindo a norma ABNT NBR 15000.

Uma mudança importante que pouca gente sabe: desde a Lei nº 14.071/2020, em vigor desde abril de 2021, não é mais preciso autorização do Exército pra registrar, licenciar ou transferir um carro que já é blindado — a autorização prévia só é exigida no momento da instalação (ou remoção) da blindagem em si. Depois de pronto, o veículo segue o fluxo normal de documentação, desde que a blindagem original tenha sido feita por empresa credenciada.


E o carro elétrico blindado? Tem pegadinha

Com o BYD Song Plus e o GWM Haval H6 no topo do ranking, vale entender uma particularidade técnica: a blindagem adiciona 150 a 160 kg ao veículo — aço, mantas de aramida, vidros de alta resistência. Num carro a combustão isso pesa no desempenho; num elétrico, pesa direto na autonomia.

A perda varia por modelo, mas gira entre 5% e 20% de autonomia a menos. Um elétrico que rodava 500 km pode passar a rodar entre 400 e 475 km blindado, por exemplo. Isso acontece porque o peso extra aumenta o consumo de energia e exige mais do sistema de gerenciamento térmico da bateria.

A boa notícia: fabricantes já perceberam a demanda. A BYD, dona do modelo mais blindado do semestre, tem um programa de "blindagem certificada" feito em parceria com empresas especializadas, que mantém a garantia de fábrica — inclusive da bateria. Isso é relevante, porque blindar um carro por conta própria, numa oficina qualquer, pode anular garantias e criar dor de cabeça lá na frente.


Vale a pena comprar um carro blindado usado?

Essa é a pergunta que mais recebemos quando o assunto blindagem aparece na loja, e a resposta honesta é: depende do que você está buscando, com os olhos abertos pros dois lados da moeda.

O que pesa a favor

O que pesa contra

O que checar antes de fechar negócio

  1. Empresa credenciada. Confirme que a blindagem foi feita por empresa com Certificado de Registro do Exército — não qualquer oficina.
  2. Laudo de vistoria atualizado. Documento que comprova a integridade da blindagem no estado atual do carro.
  3. Nível de blindagem compatível com uso civil. III-A é o padrão permitido; qualquer coisa fora disso é sinal de alerta.
  4. Documentação regularizada. Desde 2021 a transferência não exige mais autorização do Exército, mas o histórico da instalação original precisa estar em ordem.

Não trabalhamos com blindados no estoque, então isso aqui não é conselho de especialista em blindagem — é a mesma lógica de checar procedência que vale pra qualquer usado, aplicada a um item que pede atenção redobrada. Um blindado bem documentado, de empresa credenciada, pode ser um ótimo negócio pra quem já decidiu que precisa dessa proteção. O erro é comprar pelo desconto sem confirmar a origem — aí o "desconto" vira problema caro de resolver depois.


E você, compraria um carro blindado usado?

Deixamos essa pergunta em aberto de propósito. Tem gente que não pensaria duas vezes — desconto bom, carro pronto, resolve o problema de segurança na hora. E tem gente que prefere pagar mais e blindar do zero, com o carro escolhido a dedo e acompanhando cada etapa do processo.

Manda a tua resposta pra gente no WhatsApp — a gente adora saber o que vocês pensam sobre isso.


Perguntas frequentes

Quantos carros foram blindados no Brasil em 2026?

No primeiro semestre de 2026, foram registradas 17.290 autorizações de blindagem no Brasil, alta de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025 — um recorde histórico para um primeiro semestre, segundo a Abrablin.

Quanto custa blindar um carro em 2026?

O valor começa em torno de R$ 45 mil para veículos compactos e passa de R$ 60 mil em SUVs e carros maiores, variando conforme o nível de proteção e a empresa responsável.

Qual o nível de blindagem mais usado em carros civis no Brasil?

O Nível III-A é o padrão predominante em veículos particulares, resistindo a disparos de pistolas 9mm e revólveres .44 Magnum. O Nível IV é proibido para uso civil no país.

Preciso de autorização do Exército para comprar um carro já blindado?

Não mais. Desde a Lei nº 14.071/2020, em vigor desde abril de 2021, não é necessária autorização do Exército para registrar, licenciar ou transferir um veículo que já foi blindado — a autorização prévia é exigida apenas no momento da instalação ou remoção da blindagem, e deve ter sido feita por empresa credenciada.

Vale a pena comprar um carro blindado usado?

Pode valer, com ressalvas. A favor: desconto de até 25% abaixo da tabela FIPE. Contra: desvalorização até 30% mais rápida, manutenção cerca de 50% mais cara e consumo até 20% maior. O essencial é confirmar que a blindagem foi feita por empresa credenciada pelo Exército e que a documentação e o laudo de vistoria estão em dia.

Carro elétrico blindado perde autonomia?

Sim. A blindagem adiciona entre 150 e 160 kg ao veículo, o que reduz a autonomia elétrica entre 5% e 20%, dependendo do modelo. Fabricantes como a BYD já oferecem programas de blindagem certificada que preservam a garantia de fábrica, inclusive da bateria.


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