Aconteceu neste mês de julho de 2026 e ainda não caiu a ficha de muita gente: o Brasil se tornou o maior importador de carros chineses do planeta, ultrapassando a Rússia — que segurou essa posição por anos, puxada pelo isolamento do mercado russo depois da guerra na Ucrânia.
Não é exagero de manchete. É número fechado, batido em dólar, publicado por Valor Econômico, Gazeta do Povo e outros portais ao longo desta semana.
📌 Em resumo: Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil importou US$ 5,2 bilhões em veículos chineses — crescimento de 147% em relação ao mesmo período de 2025 (US$ 2,1 bilhões). Isso superou a Rússia (US$ 5 bi), a Bélgica (US$ 3,8 bi) e o Reino Unido (US$ 3,4 bi). Em 2025 o Brasil ainda era só o 6º colocado nesse ranking — a subida foi rápida. 87% do que importamos da China hoje são carros eletrificados (elétricos e híbridos), ante 33% em 2021. E o reflexo já aparece nas ruas: os eletrificados (de qualquer origem, chinesa ou não) chegaram a 18% do mercado brasileiro de veículos leves em junho, vindo de 7,7% um ano antes. Do outro lado do mundo, a Europa — que aplica tarifas pesadas especificamente para conter isso — vê as marcas chinesas (essas sim, medidas por marca) em apenas ~6% do total de emplacamentos no bloco. São métricas diferentes, mas o retrato é o mesmo: o Brasil abriu a porta que a Europa tentou manter entreaberta.
Os números, sem enrolação
| País (jan–mai 2026) | Importação de veículos chineses |
|---|---|
| 🇧🇷 Brasil | US$ 5,2 bilhões |
| 🇷🇺 Rússia | US$ 5,0 bilhões |
| 🇧🇪 Bélgica | US$ 3,8 bilhões |
| 🇬🇧 Reino Unido | US$ 3,4 bilhões |
Em 2025, o Brasil nem aparecia entre os líderes — estava em 6º lugar nesse ranking mundial. Subir cinco posições e assumir a ponta em pouco mais de um ano é o tipo de movimento que normalmente leva uma década.
E dentro desse total, o que mais cresce é a fatia eletrificada:
- US$ 4,5 bilhões dos US$ 5,2 bi importados (jan-mai) já são carros elétricos ou híbridos
- Em 2021, eletrificados eram 33% do que importávamos da China. Hoje são 87%
- No mercado interno, os eletrificados venderam 215.023 unidades no primeiro semestre de 2026 — alta de 125% sobre 2025
- Carros 100% elétricos sozinhos: 91 mil emplacamentos no primeiro semestre de 2026 contra 31 mil no mesmo período de 2025 (+193%)
- Em junho, os eletrificados fecharam o mês com 18% de participação no mercado — ou seja, quase 1 em cada 5 carros vendidos no Brasil já é elétrico ou híbrido
Por que já explicamos essa parte — e agora ela fica mais forte
Já mostramos por aqui que a China tem 129 marcas de carro brigando por um mercado interno que encolheu, e que a saída encontrada foi exportar em massa. Este número de hoje é a prova concreta disso batendo na porta do Brasil.
Um dado que dá a dimensão exata: em um único mês recente, a BYD exportou 175 mil automóveis — o equivalente a 43% de toda a sua produção. Quase metade do que a maior montadora de elétricos do mundo fabrica vai direto para fora da China. E o Brasil está entre os destinos favoritos dessa produção.
O comparativo que ninguém está fazendo: e a Europa?
Aqui está o contraste mais interessante da notícia — e o motivo de trazer ele pra vocês.
A Europa também está sendo procurada pelas marcas chinesas, e o crescimento por lá também é real: as marcas chinesas foram de 3,2% para cerca de 6% das emplacamentos totais na União Europeia no acumulado de janeiro a abril, comparando 2025 com 2026. Somando os cinco maiores grupos chineses, eles chegam a ~11% do mercado combinado de UE + EFTA + Reino Unido no primeiro semestre.
É importante comparar com cuidado: o 18% brasileiro é a fatia de eletrificados de qualquer marca (chinesa ou não) no nosso mercado; o 6-11% europeu é a fatia de marcas chinesas especificamente (elétrico, híbrido ou combustão) no mercado deles. Não são a mesma régua. Mas o retrato geral não muda: o Brasil virou o maior comprador em valor do mundo inteiro, e a velocidade de adoção de eletrificado por aqui não tem paralelo num mercado que ainda protege sua indústria com tarifa pesada, como a Europa faz.
A diferença tem nome: tarifa. A Europa aplicou, desde 2024, sobretaxas específicas (antidumping) para conter a entrada de elétricos chineses baratos e proteger a indústria local. Funcionou parcialmente — a penetração chinesa lá cresce, mas de forma bem mais contida que aqui.
O Brasil também tem tarifa — e ela subiu justamente agora. Desde 1º de julho de 2026, o imposto de importação sobre carros elétricos e híbridos que chegam prontos (modalidade CBU) foi para 35%, o teto de um cronograma de reoneração que o governo brasileiro desenhou lá em 2023. Só que essa tarifa não segurou nada visível ainda: o salto de 147% nas importações aconteceu bem no meio da rampa de aumento de imposto. A resposta das montadoras chinesas, aliás, já é conhecida: quem sente a tarifa no produto pronto passa a montar peça por peça aqui dentro — carros desmontados (CKD) continuam pagando só 14% até o fim de 2026. É por isso que BYD (Camaçari/BA) e GWM (Iracemápolis/SP) já correram para abrir fábrica em solo brasileiro.
O que isso muda para quem vai comprar um carro agora
1. Mais opção, mais rápido. O ritmo de chegada de modelos novos, marcas novas e tecnologia nova no Brasil não vai desacelerar tão cedo — o apetite do brasileiro por eletrificado está mostrado nos números, e as fábricas locais (BYD, GWM, e mais a caminho) tornam esse fluxo permanente, não um modismo passageiro.
2. Elétrico importado deve ficar mais caro daqui pra frente. Com a tarifa plena de 35% valendo desde julho para carros importados prontos, um elétrico de R$ 200 mil vindo de fora pode chegar a custar até R$ 216 mil — e SUVs premium na faixa de R$ 300 mil podem subir de R$ 20 a 25 mil. Para quem já pensava em comprar um importado, essa é a hora de decidir.
3. Nacionalizado tende a segurar preço melhor. Carros montados ou fabricados aqui (CKD, ou já saindo de fábrica local como BYD e GWM) escapam da tarifa cheia — e devem ser o caminho natural de crescimento das marcas chinesas no Brasil daqui pra frente.
4. A pergunta certa continua sendo a mesma. Com tanta marca e tanto volume entrando, já explicamos aqui o que vale checar antes de comprar: que grupo está por trás, se tem rede de peças e assistência perto de você, e como está o histórico de revenda. Isso não muda com o Brasil virando líder mundial em importação — só fica mais importante, porque mais gente vai comprar sem saber diferenciar.
Nossa visão aqui da loja
A gente vê isso na prática todo dia: procura crescente por eletrificados, inclusive de marcas que há dois anos ninguém conhecia no Vale do Taquari. O Brasil virar o maior comprador de carros chineses do mundo não é uma notícia distante de jornal — é o motivo pelo qual esse carro está aparecendo cada vez mais na nossa vitrine e na sua rua.
Nosso trabalho continua o mesmo, independente de qual bandeira o carro carrega: inspeção completa, procedência garantida, sem carros de leilão e com até 2 anos de garantia em seminovos selecionados. Se você está considerando um eletrificado — chinês ou não — fala com a gente no WhatsApp e a gente ajuda a decidir com clareza, não com hype.
Perguntas frequentes
O Brasil é realmente o maior importador de carros chineses do mundo?
Sim. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil importou US$ 5,2 bilhões em veículos da China, superando a Rússia (US$ 5 bilhões), a Bélgica (US$ 3,8 bilhões) e o Reino Unido (US$ 3,4 bilhões). Em 2025, o Brasil ainda ocupava a 6ª posição nesse ranking mundial.
Quanto o Brasil importou de carros chineses em 2026?
US$ 5,2 bilhões apenas nos cinco primeiros meses de 2026, um crescimento de 147% em relação aos US$ 2,1 bilhões do mesmo período de 2025.
Que porcentagem das importações da China são carros elétricos ou híbridos?
87% do valor importado da China pelo Brasil já são veículos eletrificados (elétricos e híbridos), ante apenas 33% em 2021 — uma inversão completa em cinco anos.
Qual a participação dos carros elétricos e híbridos no mercado brasileiro hoje?
Em junho de 2026, os eletrificados atingiram 18% do mercado de veículos leves no Brasil, contra 7,7% em junho de 2025. No acumulado do primeiro semestre, foram 215.023 unidades vendidas, alta de 125% sobre o ano anterior.
Como o Brasil se compara à Europa na compra de carros chineses?
São métricas diferentes, mas o retrato aponta na mesma direção. No Brasil, os eletrificados de qualquer marca já somam 18% do mercado; na Europa, as marcas chinesas especificamente (elétricas ou não) representam cerca de 6% a 11% das emplacamentos, resultado de tarifas antidumping que o bloco aplica desde 2024 justamente para conter essa entrada. Sem essa barreira, o Brasil se tornou o principal destino global do excedente de produção chinês — o que se confirma no ranking de importação, onde o país lidera em valor absoluto.
Por que a tarifa brasileira de 35% não freou as importações chinesas?
Porque o salto de 147% nas importações aconteceu durante a própria rampa de aumento da tarifa, que só chegou ao teto de 35% em julho de 2026. Além disso, a tarifa cheia vale só para carros importados já montados (CBU); veículos desmontados (CKD) pagam apenas 14% até o fim de 2026, o que incentivou montadoras como BYD e GWM a abrirem fábricas no Brasil em vez de importar prontos.
Um carro elétrico importado ficou mais caro no Brasil?
Sim. Desde 1º de julho de 2026, a tarifa de importação para elétricos e híbridos montados no exterior (CBU) subiu para 35%. Na prática, um elétrico importado de R$ 200 mil pode passar a custar até R$ 216 mil, e SUVs premium na faixa de R$ 300 mil podem subir de R$ 20 mil a R$ 25 mil.
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