Circulou essa semana um dado que teria sido impensável há 3 anos: numa das principais regiões do interior de São Paulo, a BYD é a marca que mais emplaca carros — à frente de Fiat, Volkswagen e Toyota.
Não é projeção. Não é opinião. É emplacamento — carro com placa, rodando na rua.
E quando a gente olha o ranking completo dessa região, o dado fica ainda mais impressionante: somando todas as marcas chinesas, elas já passam de 40% do mercado local. Quase metade dos carros novos vendidos.
Na Covel, acompanhamos esse movimento de perto — inclusive estivemos recentemente numa feira do setor em São Paulo ouvindo executivos dessas marcas (contamos aqui o que aprendemos sobre IA embarcada e direção autônoma). Neste artigo, cruzamos os dados regionais com os números nacionais da Fenabrave e respondemos a pergunta que importa: o que isso muda pra você que vai comprar carro agora?
📌 Em resumo: Na área de influência de Ribeirão Preto/SP, a BYD lidera os emplacamentos com 11,2% de share, seguida de perto por Fiat (10,9%) e VW (10,1%). CAOA Chery é a 4ª (9,0%) e Omoda Jaecoo a 6ª (6,6%). Somadas, as marcas chinesas passam de 40% do mercado regional. Nacionalmente, a Fiat ainda lidera, mas a BYD já disputa posição com a Hyundai e o Dolphin Mini está entre os 10 carros mais vendidos do país. Pra quem compra hoje: as chinesas viraram opção real — mas a decisão pede atenção a revenda, assistência e valor de revenda.
O ranking que mostra a virada
Os dados são da área de influência de Ribeirão Preto/SP — uma das regiões mais representativas do interior paulista — e mostram o share de emplacamentos por marca:
| Posição | Marca | Market Share | Origem |
|---|---|---|---|
| 1º | BYD | 11,2% | 🇨🇳 China |
| 2º | Fiat | 10,9% | Tradicional |
| 3º | VW | 10,1% | Tradicional |
| 4º | CAOA Chery | 9,0% | 🇨🇳 China |
| 5º | Toyota | 6,9% | Tradicional |
| 6º | Omoda Jaecoo | 6,6% | 🇨🇳 China |
| 7º | GM | 5,6% | Tradicional |
| 8º | Honda | 5,4% | Tradicional |
| 9º | Geely | 5,2% | 🇨🇳 China |
| 9º | Hyundai | 5,2% | Tradicional |
| 11º | GWM | 3,7% | 🇨🇳 China |
E seguem na lista: GAC (2,1%), Jetour (1,8%), CAOA Changan (1,3%), Denza (1,0%), Leapmotor (0,9%) — todas chinesas, todas emplacando.
Faz a conta: BYD + Chery + Omoda Jaecoo + Geely + GWM + GAC + Jetour + Changan + Denza + Leapmotor = mais de 42% do mercado da região.
Pra dar contexto: em 2021, essa soma era praticamente zero.
E no Brasil inteiro? Os números da Fenabrave
Antes de concluir que "a China dominou tudo", é importante separar o recorte regional do quadro nacional. Os dados da Fenabrave (a federação que consolida todos os emplacamentos do país) mostram um cenário em transição — mas ainda não invertido:
- A Fiat segue líder nacional em automóveis e comerciais leves, num mercado de cerca de 237 mil emplacamentos mensais
- A BYD vem subindo rápido e já disputa posição com a Hyundai — ou seja, briga logo abaixo das três grandes tradicionais (Fiat, GM, VW)
- O BYD Dolphin Mini entrou pro top 10 dos carros mais vendidos do Brasil, com mais de 5.600 unidades num único mês — jogando na mesma faixa de volume de compactos a combustão consagrados
- Os veículos elétricos cresceram cerca de 175% no primeiro quadrimestre de 2026, passando de 48 mil unidades — e dentro desse segmento, a BYD é dominante
- Em nichos específicos, como ônibus elétricos, a BYD já lidera com folga
Tradução: no agregado nacional, as tradicionais ainda mandam. Mas a velocidade da mudança é o que impressiona — e regiões como Ribeirão Preto mostram o retrato de onde o mercado inteiro pode estar em 2-3 anos.
Por que as chinesas estão crescendo tão rápido?
Quatro razões objetivas — sem torcida, sem preconceito:
1. Preço agressivo com equipamento farto
Um SUV chinês médio entrega, de série, o que as tradicionais cobram como opcional em versões topo: multimídia grande, ADAS (assistentes de direção), teto solar, bancos elétricos, câmera 360°. O cliente faz a conta e o custo-benefício fala alto.
2. Tecnologia embarcada de outra geração
Como contamos no artigo sobre o futuro do carro, as chinesas lideram em IA embarcada, conectividade e atualização remota (OTA). São carros que nascem digitais — não adaptados.
3. Elétricos e híbridos acessíveis
Enquanto elétricos de marcas tradicionais custam a partir de R$ 250-300 mil, a BYD colocou elétrico competente na faixa dos R$ 120-150 mil. O Dolphin Mini no top 10 nacional é prova de que preço destrava volume.
4. Investimento pesado no Brasil
BYD montando fábrica na Bahia, GWM em São Paulo, Chery consolidada com a CAOA há anos. Não é operação de importação oportunista — é aposta de longo prazo no mercado brasileiro, com nacionalização de produção e rede de concessionárias crescendo.
A pergunta de R$ 100 mil: e o valor de revenda?
Aqui entra a parte que quase ninguém discute com honestidade — e que a gente, como revenda com 42 anos de mercado, acompanha na prática todos os dias.
A objeção clássica contra carro chinês sempre foi: "e na hora de vender, quem compra?"
Essa objeção fazia sentido em 2021, quando as marcas eram novidade e a rede de assistência era incerta. Hoje o cenário mudou:
O que já melhorou
- Volume cria mercado de usados. Com 40%+ de share em algumas regiões, daqui 3-4 anos haverá MUITO carro chinês seminovo circulando — e mercado consolidado de compra e venda
- Rede de assistência cresceu. CAOA Chery tem rede nacional consolidada; BYD e GWM estão expandindo rápido
- Peças de desgaste já têm reposição razoável nos modelos de maior volume
O que ainda merece atenção
- Depreciação ainda é mais acentuada que a de marcas consagradas como Toyota e Honda — o mercado de usados ainda está formando referência de preço
- Modelos de baixo volume (marcas que vendem pouco) podem sofrer com peças e revenda — vale distinguir entre BYD/Chery (volume alto) e marcas que emplacam 10 unidades por mês
- Tecnologia evolui rápido — um elétrico de 2023 já é "geração antiga" comparado ao de 2026, o que pressiona o preço do usado
Nossa leitura honesta: carro chinês de marca consolidada (BYD, Chery/CAOA, GWM) virou compra racional. Carca chinesa de nicho, com volume baixo, ainda pede cautela na revenda.
O que isso significa pra quem compra seminovo no Vale do Taquari
O movimento que começou em São Paulo chega ao Rio Grande do Sul com defasagem de 12-24 meses — mas chega. E pra quem está trocando de carro agora, isso gera três efeitos práticos:
1. Seminovos chineses começam a aparecer no mercado
Os primeiros BYD, Haval e Tiggo comprados em 2022-2023 estão chegando agora ao mercado de usados. Preços atrativos — mas exigem os mesmos critérios de sempre: procedência, revisões em dia e garantia da revenda. (Nosso guia de como escolher revenda vale dobrado aqui.)
2. Carros tradicionais seminovos ficam ainda mais competitivos
Com as chinesas pressionando o preço dos novos, o seminovo tradicional (Toyota, Honda, VW, GM, Hyundai) ganha apelo: valor de revenda comprovado, peças em qualquer esquina, mecânico de confiança que conhece o carro. Pra quem prioriza previsibilidade, o momento é bom.
3. O critério de escolha mudou de vez
Como escrevemos no artigo anterior: não é mais só consumo e conforto. Conectividade, capacidade de atualização e tecnologia embarcada entraram na conta — porque afetam o valor do carro daqui 5 anos.
Como a Covel enxerga esse momento
Somos multimarcas há 42 anos. Já atravessamos a chegada dos importados nos anos 90, a era dos populares 1.0, o boom dos SUVs — e agora a onda chinesa. Nossa posição é a mesma de sempre: não torcemos por marca, orientamos por perfil.
Na prática:
- Trabalhamos com 17 marcas, incluindo BYD e as tradicionais
- Avaliamos cada carro pelo histórico, não pela bandeira do capô
- Orientamos o cliente sobre valor de revenda esperado com base no que vemos acontecer no pátio, não em achismo
Se você está em dúvida entre um seminovo tradicional e arriscar num chinês novo (ou seminovo), a conversa certa não é "qual marca é melhor" — é "qual faz mais sentido pro seu uso, seu orçamento e seu prazo de troca". Essa conversa a gente faz de graça, sem pressão.
📌 Resumo final
| Pergunta | Resposta direta |
|---|---|
| A BYD realmente lidera no Brasil? | Não no agregado nacional (Fiat lidera). Mas já lidera em regiões específicas, como a área de Ribeirão Preto/SP, e no segmento de elétricos. |
| Quanto as chinesas já representam? | Mais de 40% do mercado em algumas regiões de SP. Nacionalmente, bem menos — mas crescendo rápido. |
| Carro chinês vale a pena em 2026? | Marcas de volume (BYD, Chery, GWM) viraram compra racional. Marcas de nicho pedem cautela na revenda. |
| E o valor de revenda? | Melhorando com o volume, mas ainda deprecia mais que Toyota/Honda. Fator a colocar na conta. |
| Devo esperar antes de comprar? | Não. O mercado está em transição gradual — carro bom hoje segue bom por anos. O que mudou é o critério de escolha. |
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❓ Perguntas frequentes
A BYD é mesmo a marca que mais vende no Brasil?
No agregado nacional, não — a Fiat segue líder segundo a Fenabrave. Mas a BYD já lidera em regiões específicas (como a área de influência de Ribeirão Preto/SP, com 11,2% de share) e domina o segmento de veículos elétricos, que cresceu cerca de 175% no primeiro quadrimestre de 2026.
Quais marcas chinesas mais vendem no Brasil hoje?
BYD, CAOA Chery, Omoda Jaecoo, Geely, GWM, GAC, Jetour, CAOA Changan e Leapmotor são as principais em atividade. BYD e Chery lideram em volume; Omoda Jaecoo cresce rápido no segmento de SUVs premium.
Carro chinês tem revenda difícil?
Depende da marca. Modelos de alto volume (BYD Dolphin, Song, Tiggo 5X, Tiggo 7, Haval H6) já têm mercado de usados se formando e revenda cada vez mais fluida. Marcas de baixo volume ainda enfrentam mais dificuldade — o carro pode ser bom, mas o mercado de usados demora a formar referência de preço.
Carro chinês seminovo é boa compra?
Pode ser, seguindo os mesmos critérios de qualquer seminovo: procedência verificada, revisões em dia, sem histórico de sinistro e garantia da revenda. O ponto extra de atenção é conferir a rede de assistência da marca na sua região.
O avanço das chinesas derruba o preço dos carros tradicionais?
Pressiona, sim. Com as chinesas oferecendo mais equipamento por menos preço, as tradicionais são forçadas a rever posicionamento — o que beneficia o consumidor tanto no novo quanto no seminovo.
A Covel vende carros de marcas chinesas?
Sim. Como revenda multimarcas, trabalhamos com 17 marcas, incluindo BYD e as tradicionais. Cada veículo passa pela mesma inspeção técnica e pode contar com garantia de até 2 anos, independente da bandeira.
Sobre a Covel Veículos
Fundada em 1984 por Luiz Augusto Bagatini, a Covel Veículos é a revenda multimarcas mais antiga de Encantado/RS. Em 40+ anos, comercializou mais de 15 mil veículos. Mantém estrutura digital diferenciada: Tour Virtual 360° (única revenda do RS com a tecnologia) e garantia de até 2 anos em seminovos selecionados.
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